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Zoonose

Esporotricose

O que é a Esporotricose?

A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix. É uma doença que pode acometer seres humanos e diferentes espécies de animais, sendo considerada uma importante zoonose. A transmissão pode ocorrer por meio da inoculação do fungo na pele, geralmente após arranhaduras, mordeduras ou contato com secreções de lesões de animais infectados, especialmente gatos.

Os gatos apresentam especial importância epidemiológica, pois podem apresentar grande quantidade de fungos nas lesões e secreções, favorecendo a transmissão para outros animais e para as pessoas.

A doença também pode ocorrer por contato com matéria orgânica e ambientes contaminados pelo fungo, embora, no contexto da esporotricose zoonótica, a transmissão associada aos gatos infectados tenha grande relevância.

A esporotricose é um importante exemplo da necessidade de integração entre a saúde humana, animal e ambiental, dentro do conceito de Saúde Única.

Epidemiologia da Esporotricose em Itajaí

A esporotricose apresenta importante relevância epidemiológica no município de Itajaí, com aumento expressivo das notificações e dos casos confirmados nos últimos anos.

Na esporotricose animal, foram registradas:

  • 2024: 205 notificações e 119 casos confirmados; 
  • 2025: 431 notificações e 340 casos confirmados; 
  • 2026, até 30 de junho: 488 notificações, 235 casos confirmados e 158 casos em investigação. 

Em relação à esporotricose humana, foram registradas:

  • 2024: 69 notificações e 28 casos confirmados; 
  • 2025: 119 notificações, 26 casos confirmados e 53 casos prováveis; 
  • 2026, até 30 de junho: 94 notificações, 26 casos confirmados e 54 casos prováveis. 

A ocorrência de casos em diferentes bairros do município demonstra a ampla distribuição da doença e reforça a necessidade de manter ações contínuas de vigilância, prevenção e controle.

A presença simultânea de casos humanos e animais em determinados territórios reforça a importância da investigação da cadeia de transmissão e da atuação integrada entre os setores responsáveis pela saúde humana, animal e ambiental.

Esporotricose Humana

A esporotricose humana ocorre quando o fungo é inoculado na pele através de mordedura e arranhadura de gatos infectados, ou pelo contato de pele lesionada com ferimentos dos animais. A transmissão também pode ocorrer por contato com matéria orgânica contaminada com o fungo. Não há evidências de transmissão entres humanos.

No contexto da transmissão zoonótica, os gatos infectados possuem grande importância epidemiológica.

A apresentação clínica pode variar, sendo comum o aparecimento de:

  • Lesões na pele que iniciam como uma pápula; 
  • Nódulos; 
  • Úlceras; 
  • Lesões que podem seguir o trajeto dos vasos linfáticos; 
  • Aumento de linfonodos próximos à área afetada. 

Em alguns casos, podem ocorrer formas mais graves ou disseminadas, especialmente em pessoas imunocomprometidas.

O tratamento é realizado através do uso de antifúngicos orais, sendo o Itraconazol o medicamento de primeira escolha, e que é fornecido pelo SUS para o tratamento humano.

Prevenção e controle

Para reduzir o risco de transmissão:

  • Evitar contato direto com animais suspeitos; 
  • Não manipular animais com lesões sem proteção adequada; 
  • Procurar atendimento médico em caso de mordedura ou arranhadura; 
  • Lavar imediatamente o local da exposição com água e sabão; 
  • Informar ao serviço de saúde sobre o contato com animal suspeito de esporotricose; 
  • Realizar o tratamento conforme orientação médica.

Esporotricose Animal

A esporotricose animal é uma doença de grande importância para a saúde pública, especialmente devido à participação dos gatos na transmissão zoonótica. A transmissão ocorre através de mordedura e arranhadura de animais infectados, ou contato com solo contaminado.

Os animais infectados podem apresentar lesões principalmente na:

  • Face; 
  • Focinho; 
  • Orelhas; 
  • Patas; 
  • Cauda; 
  • Outras regiões do corpo. 

As lesões podem apresentar aspecto ulcerado, crostoso e secreção, podendo ser acompanhadas de aumento de volume, nódulos e feridas de difícil cicatrização. Também pode ocorrer aumento do volume nasal, espirros e dificuldade respiratória.

O diagnóstico ocorre através dos sinais clínicos e pela confirmação laboratorial, sendo a cultura fúngica o padrão ouro para diagnóstico.

O tratamento é realizado através de antifúngicos orais, sendo o Itraconazol o antifúngico de primeira escolha, podendo ser associado a outras drogas. O tratamento costuma ser longo, e deve ser mantido por pelo menos 60 dias após o desaparecimento das lesões.

Controle e Prevenção

  • Animais suspeitos ou confirmados devem ser mantidos em isolamento e manipulados com cuidado, utilizando equipamentos de proteção adequados e evitando contato direto com as lesões e secreções. 
  • O atendimento veterinário deve ser buscado imediatamente perante suspeita da esporotricose animal. 
  • O medicamento deve ser administrado preferencialmente no alimento, evitando contato direto com a boca do animal. 
  • O ambiente onde o animal fica deve ser higienizado diariamente com hipoclorito de sódio.
  • Caso o animal venha a óbito, o corpo jamais deve ser enterrado, pois isso perpetua a doença no ambiente. O corpo deve, idealmente, ser cremado.

O recolhimento do corpo do animal morto pode ser solicitado gratuitamente, através do telefone da ambiental: (47) 9972-5475 (whatsapp)

Notificação

A esporotricose humana é de notificação compulsória em todo o território nacional, desde 2025. Em Santa Catarina, a esporotricose animal passou a integrar a lista de agravos de notificação obrigatória em dezembro de 2024. 

Em Itajaí, as notificações de casos suspeitos de esporotricose animal  e humana são recebidas pela Gerência de Controle de Zoonoses, que realiza a organização do fluxo de investigação e diagnóstico laboratorial.

As amostras recebidas são preparadas e encaminhadas ao LACEN/SC, conforme os protocolos estabelecidos.

Após o recebimento dos resultados, os casos são acompanhados pela equipe até o desfecho, como alta, óbito ou outras situações previstas no fluxo de vigilância.

Ações Desenvolvidas pela Vigilância Ambiental para o Controle da Esporotricose

Entre as principais atividades desenvolvidas pela equipe estão:

 Vigilância e investigação

  • Recebimento das notificações; 
  • Investigação dos casos; 
  • Acompanhamento epidemiológico; 
  • Monitoramento da distribuição dos casos; 
  • Identificação de áreas com ocorrência da doença. 

 Diagnóstico

  • Recebimento das amostras; 
  • Preparação e acondicionamento; 
  • Encaminhamento ao LACEN; 
  • Recebimento e avaliação dos resultados laboratoriais. 

 Busca ativa

  • Identificação de novos casos; 
  • Investigação de animais contactantes; 
  • Orientação aos tutores; 
  • Identificação de possíveis situações de risco. 

 Acompanhamento dos casos

  • Monitoramento da evolução; 
  • Orientação sobre tratamento; 
  • Acompanhamento até o desfecho; 
  • Identificação de abandono ou interrupção do tratamento. 

 Educação em Saúde

  • Capacitação de profissionais; 
  • Palestras; 
  • Orientação à população; 
  • Distribuição de materiais educativos; 
  • Divulgação de medidas de prevenção. 

Boletim Epidemiológico da Esporotricose 2026 - Primeiro Semestre